
Menina, você era recém chegada a adolescência quando te conheci. Quantas coisas falamos em nossas infinitas conversas. Vida, tempo, computador, cabelos, roupas, dinheiro, tudo era motivo para passarmos horas juntos, sem de fato nos vermos, milagre dos tempos modernos.
Você toda inocência; eu todo atenção.
O tempo se encarregou de mudar alguns assuntos. Você passou a falar de como era chato ser assediada e de como os meninos eram inconvenientes. Eu achava tudo muito engraçado, mas te apoiava além de contar alguns fatos da vida.
Você toda revolta; eu todo pacificador.
Os conflitos com o sexo oposto diminuíram e deram lugar a um sentimento mais perturbador. Você estava achando legal estar com eles, na verdade sentia falta deles. Ali eu via o desabrochar de uma mulher.
Você toda confusa; eu todo sábio.
Chegou o dia que decidimos nos conhecer pessoalmente. O conflito na mente era enorme, havia algo no ar, nenhum de nós foi capaz de identificar o motivo do nervosismo, as palavras até então fluentes ficavam pela metade, sorrisos meio desconcertados. Depois que você se foi fiquei alguns minutos tentando achar o chão.
Você toda enigma; eu todo perdido.
Alguns dias depois, você me revela uma idéia que esclarece todo nosso dilema. Queria ter te beijado, você disse. Ora, era isso, eu também queria ter beijado você. Mas, hei, o que houve? De onde nasceu esse sentimento? Quando foi que cruzamos esta fronteira?
Você toda clareza; eu todo menino.
Continua...
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